MERCADO DA PESCA ATRAI APROXIMADAMENTE 30 MIL TURISTAS PARA O AMAZONAS

MERCADO DA PESCA ATRAI APROXIMADAMENTE 30 MIL TURISTAS PARA O AMAZONAS

Manaus - Diante da exclusividade proporcionada pela região amazônica, a pesca na região se tornou um enorme atrativo aos apaixonados pela prática, dentre as várias modalidades ofertadas. O segmento turístico atrai para o Amazonas de 10 a 30 mil turistas de todo o mundo por temporada, o que gera uma movimentação financeira estimada em mais de R$ 100 milhões.

Pensando nisso, a Amazonastur realizou, na última quarta-feira (9), a segunda edição do Workshop de Pesca Esportiva do Amazonas, com o encontro reunindo os principais operadores do turismo de pesca amazonense, associações, bem como pescadores e órgãos públicos estaduais e municipais envolvidos no setor.

O evento contou com a parceria das secretarias de Estado do Meio Ambiente (Sema) e de Pesca e Aquicultura (Sepa), além do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Melhor Região

Denise Bezerra Lima é diretora de desenvolvimento da Amazonastur e busca mapear os locais que possuem as características buscadas pelos praticantes da modalidade, procurando desenvolver ainda mais esse mercado.

"Atualmente, a região mais propícia para a pesca é a do Alto Rio Negro, com foco no município de Barcelos. Porém, com a crescente da modalidade, nós estamos vendo potencial para essa prática em outras regiões do Estado, como Apuí e Balbina, no Sul do Amazonas”, informou Lima.

Buscando explorar esse crescimento, a diretora confirma o efeito da prática na economia local. “A pesca esportiva movimenta a economia de forma bastante dinâmica, pois o operador vende o pacote, contrata a mão de obra, que abastece o barco de mantimentos e combustível, o que realiza uma interferência positiva na economia”, acrescentou.

Modalidades de pesca

Leonardo Leão atualmente é o presidente da Associação de Operadores de Barco de Turismo do Amazonas (AOBT/AM), que é responsável pelo turismo fluvial, que, de acordo com ele, atua em dois seguimentos: o ecoturismo e a pesca esportiva, esta última sendo a de maior relevância para o Amazonas.

Para ele, o retorno que a pesca gera ao Estado é um dos motivadores da ação. “Hoje, a pesca gera empregos por meio do guia de pesca daquela região, da mão de obra local designada para servir o turista. Além disso, também traz uma renda ao Estado, pois o turista passa pelo menos dez dias na cidade, agindo na economia local em bares, restaurantes, na rede hoteleira, fomentando a economia local”, explicou Leão.

O meio bilhão de renda

Além do retorno econômico, a região também é considerada uma das melhores para a prática por conta de suas características. “Além de divulgar o Estado como um centro de pesca esportiva mundial, por conta dos peixes característicos da região, tais como o tucunaré-açú - o carro chefe da pesca esportiva para o mundo - aqui temos qualidade, quantidade e uma logística viável, estando a 5 horas dos Estados Unidos e a 8 horas da Europa”, argumentou o presidente.

Para ele, mesmo com toda a exclusividade que a região oferece, ela poderia estar sendo melhor explorada. “Hoje, o número de turistas é relativamente baixo, diante do potencial da região, mas representa em torno de dez mil turistas por ano, em que 50% são americanos e estrangeiros de modo geral, conosco buscando dobrar esse número, representando em torno de meio bilhão de reais por ano somente com a pesca esportiva”, finalizou.

Modalidades e Registro

O coordenador do Núcleo de Pesca da Sema, Rogério Bessa, explica que a modalidade de pesca amadora no Estado do Amazonas se divide em duas categorias, sendo a pesca recreativa e a esportiva.

“O pescador necessita possuir a carteira de pesca. No caso da esportiva, a minha cota de captura é zero, ou seja, apenas sou apto a praticar a pesca e depois soltar - devolvendo o peixe ao seu habitat. Se eu sou apto à pesca recreativa, eu estou apto a transportar e capturar cinco quilos de peixe”, comentou Bessa.

Segundo o coordenador, as ações que visam coibir a coleta acima do permitido são regulares. “A fiscalização acerca dos quilos levados pelos pescadores, que estão aptos a transportar, fica a cargo do Ipaam, o órgão municipal licenciador, realizando as checagens’’, disse Rogério.

Para ter acesso à carteira é necessário acessar o site sistemas.ipaam.am.gov.br e localizar o ícone pesca amadora, em que será emitida a carteira de pescador, com o licenciamento se estendendo às empresas que trabalham com pesca, como operadores de barco hotel, pousadas, acampamentos, dentre outros

Benefícios

Segundo Rogério, até mesmo em situações de doenças genéticas a pesca teve papel importante. “As atividades físicas trazem inúmeros benefícios. Tivemos um caso muito marcante de um jovem que possui autismo e que melhorou a qualidade de vida por meio da pesca, pois ele até os 12 anos não falava nada e, com a pesca, virou outra pessoa”, revelou Bessa.

Para ele, os ganhos que a atividade traz atua em várias frentes. "É uma atividade extremamente relaxante, de contato e harmonia com a natureza, atrelada a uma calmaria que não existe na correria do dia a dia. Gera um ganho social, ambiental, esportivo, pois existe a pesca de competição - e podermos usufruir do oásis [lugar único] da pesca esportiva no Brasil”, finalizou.

O diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente, destacou que o órgão vem buscando regularizar as ações do setor para garantir o respeito aos aspectos ambientais.

“Nós estamos convictos de que a pesca esportiva é uma das saídas econômicas para o Estado do Amazonas. Por isso, o Ipaam, em conjunto com a Sema, entende que as ações têm que ser para organizar o setor. Já fomos até Barcelos, onde fizemos uma grande ação chamada de sensibilização e regularização do setor de pesca esportiva, atuando com as agências, barcos-pesqueiros e município. Esse esforço tem sido feito e o setor pode contar com o apoio do Ipaam”, disse.

Atividade ordenada

O presidente da Associação dos Operadores de Barcos de Turismo da Amazônia (AOBT), Leonardo Leão, disse que o workshop norteia a pesca esportiva no estado, sobretudo pelo início do ordenamento da atividade que emprega mais de cinco mil pessoas no Amazonas.

“O turismo de pesca esportiva no Amazonas precisa de um ordenamento para que a gente consiga, a partir daí, fomentar, desenvolver e ampliar o que já existe hoje. "Atualmente gera uma renda estimada em mais de R$ 100 milhões por ano, empregando muito mais que cinco mil pessoas diretas”, citou Leonardo.

 

Fonte: d.emtempo.com.br